sábado, dezembro 16, 2006

Mário Cesariny (1923-2006)


Soprofigura
c. 1947

Cesariny foi, dos Surrealistas portugueses, quem levou o automatismo à sua dimensão mais extremada e o mais feroz crítico do talento artístico convencioinado. Liberto dos ditames da prática oficial instaurada, realiza composições intituladas "Soprofiguras", lançando sobre a superficie da obra jactos de tinta posteriormente soprados. Assim, arbitrariamente estendida sobre a superfície, a tinta é em seguida trabalhada com tinta da china, guache e materiais inusitados como vernizes industriais (am assunção de uma anti-pintura), com recurso igualmente a técnicas pouco ortodoxas como o grattage que reforçam o carácter aleatório e espontâneo da composição. Liberta de condicionantes racionais, espaciais e temporais, bem como de quaisquer preocupações estéticas ou morais, esta anti-pintura apreende as imagens inconcientes no seu estado nascente e, na medida em que qualquer um a pode praticar, aqduire um carácter universal que derroga decisivamente o estatuto do artista como génio criador e aproxima eficazmente a arte da própria vida.


in Museu do Chiado